domingo, 29 de março de 2009
Jantar em Copacabana

No dia 23/03/2009, houve um tiroteio em Copacabana e neste dia eu estava lá, não lá no tiroteio, mas lá no Rio de Janeiro, no Leblon trabalhando, passei o dia todo no trabalho sem tomar o menor conhecimento do que estava acontecendo, aliás mesmo depois do eu continuava alheio. Peguei um taxi e pedi para ele ir para Copacabana pelo “corte” e não pela praia, pela praia o caminho é mais longo, mas a paisagem é melhor, mas nem todos os dias estou no clima para ficar apreciando paisagem.
Cheguei no hotel e fiz meu “check in”, segunda feira, que dia terrível é a “segundona” quando viajo, levanto as 04:00 hs, corro pro aeroporto, que quando eu dou sorte é Cumbica, chego no destino e vou direto para o trabalho, fico lá até a hora que precisar e depois vou para um hotel, quando é um famoso bate e volta, aí a neura é sair a tempo para pegar o vôo, mas isto é outra história, quem sabe outra hora eu conto; neste dia foi bom, saí da empresa por volta das 18:00 e fui embora.
Depois de pendurar as roupas e tomar um banho resolvi fazer um reconhecimento do hotel, subi até a cobertura, onde ficam piscina, sauna, sala de ginástica e bar, lá me deparei com um grupo de hóspedes observando um helicóptero que pairava nas proximidades, para quem não sabe, quando um helicóptero fica no ar sem ir para frente ou para traz, isto se chama pairar, bom, os hóspedes estavam observando o tal parado no ar, fiquei ali alguns minutos observando também, como se aquilo fosse algo interessantíssimo, depois resolvi perguntar a um funcionário do hotel se estava acontecendo algo diferente, ao que fui informado sobre uma tentativa de invasão a uma favela, para quem não sabe favela é o nome que dávamos antigamente para as “comunidades”.
Tentaram invadir a favela, os caras saíram da Rocinha, atravessaram o mundo e partiram para a Ladeira dos Tabajaras (não tem nada a ver com Casseta & Planeta), armados até os dentes; a coisa terminou em “Bang-Bang”, e pelo visto tinha acontecido a pouquíssimo tempo, mas já tinha acabado, pelo menos o único barulho que restava era provocado pelo tal helicóptero, fui até a recepção e encontrei dois colegas de trabalho, um também paulista e o outro mineiro, após uma rápida analise dos fatos eu e o outro paulista decidimos que seria tão perigoso sair para jantar fora, quanto permanecer no hotel, pelo mineiro ficaríamos no hotel debaixo de nossas camas e foi isto que chamou minha atenção, apesar de um justificado receio, eu e meu conterrâneo estamos muito mais habituados a um certo grau de violência, enquanto que o mineiro que vive em um lugar mais tranqüilo, reage de uma forma mais sensata, afinal a situação é perigosa.
Perigosa ou não nós saímos, saímos e as ruas não estavam desertas, em alguns momentos nem parecia que havia ocorrido algo tão grave e tão próximo de onde estávamos.
É estranho e triste, até assustador, como com o tempo nos adaptamos as situações de violência !! Embora eu saiba que lá onde ele mora, como em todo lugar, a violência também se faz presente, ainda que em menor grau, espero que meu amigo mineiro jamais se adapte a este tipo de coisa.
Grande abraço e muita paz !!
terça-feira, 24 de março de 2009
Tempos Modernos !!

Na década de 1980, eu trabalhava em uma distribuidora de livros no bairro Bela Vista em São Paulo, saia do trabalho e ia direto para o colégio Objetivo no edifício Gazeta, onde fazia um curso técnico em processamento de dados. Morando na zona norte, o metrô era o meu meio de transporte, subia num ônibus que me levava até a estação terminal Santana, naquele tempo ainda não existiam as estações de Jardim São Paulo até Tucuruvi, entrava no metrô e desembarcava na estação São Joaquim, de lá ia andando até a empresa, passava o dia inteiro na frente do computador, pois é, já naquele tempo em que a maioria das coisas eram feitas na máquina de escrever, eu já tinha me metido neste meio informático até o pescoço, no final do dia subia a brigadeiro a pé em direção a minha aula.
As aulas eram em sua maioria teóricas e as práticas ocorriam em moderníssimos laboratórios equipados com sofisticadíssimos computadores de 8 bits (Apple II e TRS80 III, pra quem não viu ou não lembra os Unitron e CP300 e CP500), depois, por volta de umas 23:00 hs eu me dirigia ao ponto de ônibus e pegava o Ana Rosa-Edu Chaves (175P), que eu chamava carinhosamente de “purgatório”, por causa da iluminação fraca no seu interior. O trajeto era um verdadeiro Tour por Sampa, depois da Paulista, passávamos pelo Pacaembu e quando parecia que íamos pegar uma linha reta até Santana ele virava a esquerda e se embrenhava pela Casa Verde , com sorte eu chegava em casa por volta de meia noite e meia, “batia” um prato de comida que dava para manter um ajudante de pedreiro o dia todo exercendo eficazmente suas atividades mais pesadas e ia dormir feliz e alimentado.
Nesta época não haviam telefones celulares nem internet, eu já ouvia falar em TV a cabo, mas era coisa fora do meu universo, nem sei se tinha no Brasil, andar de avião era muito caro, não que hoje seja muito barato, mas era muito mais caro, pra ter telefone em casa ou você ficava na fila do plano de expansão, ou pagava um ágio para alguém que conhecia alguém que tinha um cunhado que trabalhava...bom, algumas coisas não mudam mesmo, quando queríamos visitar algum amigo ou parente que morava do outro lado da cidade, isto era uma viajem e tinha que ser muito bem planejado, o contato por telefone antes, mesmo que para o telefone de um vizinho próximo era algo vital para evitar o “nariz na porta”, claro que tínhamos carro, já era um privilégio que muitas pessoas de classe média conseguiam adquirir, mas as vias, embora não muito piores que as de hoje, eram mais limitadas no que diz respeito a fluidez. Todas as transações bancárias tinham que ser feitas nos bancos, que estavam começando a implementar a fila única e tinham pouquíssimos caixas eletrônicos.
Hoje conseguimos ligar para qualquer pessoa na hora que quisermos, independente de onde elas estejam, já que quase todo mundo tem o tal do telefone celular, que até funcionam, quem viu os primeiros não entende como esta porcaria deu certo, fazemos a maioria de nossas transações bancárias pela internet ou pelo telefone, fazemos parte de nossas compras do mesmo jeito, temos acesso as noticias e muitas vezes interagimos com elas na hora em que os fatos estão ocorrendo, fogão elétrico, forno de micro ondas, comida pronta congelada, pipoca de microondas e por ai vai...
Então me explica por que, cargas d’água, o nosso tempo é tão mais escasso hoje que naquele tempo onde as coisas tomavam mais tempo ?!?!?
domingo, 15 de março de 2009
Juros ou não juros, uma grande questão.
Ao contrario da maioria das pessoas, eu não gosto de pagar juros, sei que você que está lendo isto deve estar pensando, opa, como assim ao contrário da maioria das pessoas, ninguém gosta de pagar juros,tudo bem, vamos ver se melhora, ao contrario da maioria das pessoas eu tento não me submeter ao pagamento de juros, pronto, aposto que você que está lendo isto pensou a mesma coisa de novo, então vamos tentar uma exemplificação:
O individuo entra em uma loja, e vê o anuncio, geladeira em 20 vezes de R$ 100,00, o olho dele brilha, ele já imagina o eletrodoméstico naquele cantinho especial da cozinha repleta de cervejinhas estupidamente geladas e nem faz a conta para ver que este luxo, que talvez pudesse ser comprado por menos de R$ 1000,00, vai custar a miséria de R$ 2000,00, faz o carnê e vai feliz da vida para casa, quer você que esteja lendo este texto se identifique ou não com esta situação, saiba que a grande maioria das pessoas e quando eu digo grande maioria, você pode entender graaaannnnnddeeee maioria mesmo, faz suas compras pensando apenas no valor da prestação, muitas vezes sem questionar o valor final e algumas vezes questionando, mas só por curiosidade.
Graças a este comportamento da graaaannnnnddeeee maioria, o lojista não tem interesse em vender de outra forma, para ele se você ou eu não comprarmos, não vai fazer falta, por isto se tentamos oferecer um valor a vista para reduzir o valor final ele (o lojista), vai fazer o possível para manter o preço o mais perto possível dos R$ 2000,00 do valor a prazo, e não se iluda pensando que o valor a vista que está bem pequeno no anuncio é um valor sem juros, na verdade aquele valor é escolhido cuidadosamente pensando-se em convencer o comprador a pagar o valor a prazo.
Isto sem falar em quando você faz o orçamento de alguma coisa, vamos supor moveis para seu apartamento e ao se deparar com um valor de R$ 28000,00 você diz para o projetista: Este valor não dá !!!. Ele primeiro tenta te persuadir a colocar o maior numero de parcelas possíveis, te olha com a maior cara deslavada e diz, este valor eu consigo dividir em 36 vezes sem acréscimo !! Noooosssa, 36 vezes sem acréscimo é mesmo tentador, mas lamento te desiludir, este negócio de vezes sem acréscimo é uma grande mentira, qualquer pagamento que não seja dinheiro na mão no ato, implicam em custos para quem está te vendendo e começam a ter características de empréstimo, se o cara te deixa pagar daqui a X dias, mesmo que X dias sejam bem pouquinhos, ele vai colocar alguma taxa de juros em cima, mas vamos lá, você olha pro cara e com uma cara mais deslavada que a dele saca uma carta da manga: Eu tenho umas economias e talvez consiga pagar a vista, em quanto dá para chegar?
Ele olha para você e lança R$ 15000,00. Nooosssaa, agora você vai comprar !!! Fique calmo e tenha sangue frio, pode ter certeza de que ele ainda não chegou no melhor preço que ele pode te oferecer !
Ah sim!! Embora ligeiramente distorcidos, esta narração está baseada em fatos reais e qualquer semelhança com locais e pessoas que você já tenha visto não é mera coincidência.
Pois é, eu não sei, mas acho que já escrevi isto aqui, o mundo la fora é uma selva e não tem Hakuna Matata que vá te salvar !!
Boa sorte e boas compras.

